Sem titulo
Desempregado e sem nenhuma perspectiva de vida, todos os dias eu acordava cedo e ia para uma cafeteria ler os classificados e pensar na vida. Vez ou outra também pedia um café.
O lugar era só mais uma daquelas cafeterias comuns, sujas e sem graça, tão decadentes quanto eu, mesas engorduradas, luzes piscando e cheia de insetos...cafe meio frio rsrs, um típico lugar onde os fracassados se encontram e se lamentam sozinhos.
Naquele dia tudo correu normal, ouso dizer que seria mais uma droga de dia se não fosse o fato de eu estar sozinho...pra ser mais específico, desde que entrei notei que só tinha eu la, além de uma garçonete, claro...e foi ela quem me chamou atenção. Era uma mulher de idade, bonita, porem judiada pelo tempo. Em seu rosto era perceptivel as decepções que a vida lhe dera..por algum motivo que até entao eu não conseguia saber o porquê, fiquei obcecado encarando o nada enquanto pensava nela e nas coisas que vivera, tanto que me assustei quando a mesma me abordou.
"O café está bom?"
"An" respondo assustado. "Está sim, mas, pra ser sincero, acho que só um bom whisky pode fazer com que eu me sinta melhor agora..''
Ela sorriu pra mim e pegou meu copo, ficou olhando pra ele como se estivesse examinando algo. Quando me devolveu não tinha mais café...
"Vamos la, prove" ela disse.
Dei um gole e não conseguia acreditar no que tinha acontecido...o café frio..virou whisky?
"Mas..como?!" Endaguei
"É fácil quando se é eu.." respondeu enquanto puxava uma cadeira e sentava-se na minha frente.
Ainda sem acreditar no que acontera perguntei quem ela era..
ela deu um sorriso largo e me pediu pra adivinhar, pode ser idiota, mas a única coisa que passou pela minha cabeça foi
"Você é uma..bruxa?!"
Ela riu, gargalhou pra ser mais exato.
"Não, não sou.." me respondeu em quanto ria.
"Eu sou o mundo, o universo, a verdade, tudo..sou você, eu sou o que vocês chamam de.."
"Deus" falamos juntos, em um tom uníssono
Ambos ficamos em silêncio por alguns segundos, e por algum motivo, eu não estava assustado ou descrente, mas precisava de um tempinho pra aceitar que Deus estava na minha frente, não é algo que se vê todo dia, eu tinha tantas perguntas..mas acabei fazendo a mais "imbecil"..
"Tá legal.. o que você ta fazendo aqui? Numa cafeteria suja e decadente..isso é no mínimo estranho..."
Ela sorriu de uma forma acolhedora, depois tomou seu chá (que eu não sei de onde surgiu) e me respondeu:
"Bom, vocês são minha criação, e eu sou uma 'pessoa' do povo...gosto de observa-los, entende?"
"Pra ser sincero, nao!" Respondi. "Aqui só vem quem não tem mais esperança de viver, quem ja falhou tanto que desistiu"
Ela olhou para sua xícara de chá ja vazia, colocou a mão sobre ela e fez com que a mesma se enchesse de novo, pegou a colher que eu usara pra mexer minha bebida que antes era cafe, colocou em sua xícara e me disse enquanto franzia a testa:
"Você acha? Todos os dias eu te vejo entrar, sentar e folhar o jornal com um olhar de esperança, faça chuva ou faça sol, todos os dias você vem aqui com a ideia de que "hoje vai ser diferente" e mesmo que seja igual, você continua vindo.."
''E daí?" Questionei desanimado "Isso não prova nada, na verdade prova sim! Que somos sua pior criação, todo cheio de falhas.."
Ela mexeu sua bebida com a minha colher (o que ainda me impressionava por algum motivo) tomou um gole, olhou para aquelas luzes piscando e cheia de insetos e sem olhar pra mim falou..
"Qual o problema em ter falhas? Defeitos são o que fazem de vocês humanos, defeitos definem a humanidade, sem isso e livre arbítrio vocês não seriam humanos, seriam...anjos, eu acho"
"Confesso que não era pra ser assim, mas o livre arbítrio fez de vocês falhos..o que não é ruim, só não é o que queria pra vocês..."
"Então ate Deus pode errar?!" Perguntei enquanto me inclinava mais perto de Deus "E porque não nos conserta?"
Pela primeira vez ela me olhou sem um sorriso no rosto, e confesso que aquilo mexeu comigo de alguma forma...
"É..esta tudo bem?!" Perguntei assustado.
"Esta sim filho, eu só estava pensando numa forma de começar, bom..se quer mesmo saber. Eu não posso consertar vocês, não mais...desde que os outros Deuses me puniram por te-los criado"
"Espera!" Interrompeu assustado. "Existem outros Deuses?!"
"Claro" ela respondeu rindo como se fosse a coisa mais normal do mundo, a julgar por tudo o que aconteceu naquele dia eu devia ter encarado com naturalidade também.. "Eles me criaram, criaram os anjos e tudo mais..alias, os anjos não diferem muito de mim, sabia?!Se tiramos o fato de que eles não tem vontade própria por não possuírem livre arbítrio como eu, somos praticamente a mesma coisa."
"Então, se livre arbítrio é o que te faz pensar por si só e criar coisas, porque não tempos o poder de criar também?!" Naquele momento eu mais parecia uma criança curiosa do que o adulto triste que entrara pra tomar cafe e se lamentar.
"E quem disse que nao podem?! Olhe a sua volta, vocês criaram tudo isso sozinhos, vocês pensam e tomam decisões por si só.. nem sempre tomam a decisão certa, mas mesmo assim...*suspira* nada nesse mundo é perfeito, e é isso que faz dele belo, infelizmente os outros Deuses não compartilham do mesmo pensamento, então me puniram, me limitaram.. mas nao me importo! *sorriso* é bom estar aqui com vocês."
"Bom meu whisky acabou.."
"Você quer mais?"
"Ah..não, não eu estou bem...o que quero mesmo é fazer uma última pergunta, sinto que ja esta na hora de ir." Respondi esperando que me dissesse algo.
Ela fez que sim com a cabeça e disse um breve "pergunte".
"Pois bem..para onde vamos? Depois que..ce sabe, depois que morremos...o que nos espera?"
Ela recolheu minha xícara junto da sua, pos ambas em uma bandeja e se levantou para lava-las. Foi até a cozinha e eu instintivamente a segui.."eu tenho que saber! Por favor"
De costas enquanto lavava a louça me respondeu "não, não tem..não se preocupe com esse tipo de coisa."
Sentindo que não devia insistir, coloquei a mão no bolso perguntando quanto devia pelo café, ou pelo whisky, sei la...ela ainda sem olhar pra mim, deu de ombros e disse que era por conta da casa.
Fiz o mesmo, dei de ombros e me despidi, pude ver sua mão esquerda levantando pra dar um breve tchau enquanto o resto dela continuara focado na pilha de louça suja que só parecia aumentar..
Quando ja estava saindo pela porta da cozinha ouvi ela me chamar pelo nome, me virei dizendo apenas "hmn?"
"03,05,09,40,42 e 47.."
"O que isso quer dizer?" Perguntei confuso.
"Pegue o dinheiro que economizou aqui e jogue esses numeros..confie em mim. Agora adeus"
Agradeci mentalmente, me virei e fui embora...por mais idiota que possa parecer, eu pensei em não jogar mas, graças a Deus *riso* graças a Deus mesmo! Eu joguei..e não voltei na cafeteria desde então..confesso que ainda tenho curiosidade de saber o que me espera após a morte, mas não tenho pressa..vou esperar chegar e descobrir eu mesmo. Não sei se sou a melhor pessoa do mundo para aconselhar alguem, mas se pudesse dar um conselho acho que seria "tomem café *riso*..e nunca desistam".
O lugar era só mais uma daquelas cafeterias comuns, sujas e sem graça, tão decadentes quanto eu, mesas engorduradas, luzes piscando e cheia de insetos...cafe meio frio rsrs, um típico lugar onde os fracassados se encontram e se lamentam sozinhos.
Naquele dia tudo correu normal, ouso dizer que seria mais uma droga de dia se não fosse o fato de eu estar sozinho...pra ser mais específico, desde que entrei notei que só tinha eu la, além de uma garçonete, claro...e foi ela quem me chamou atenção. Era uma mulher de idade, bonita, porem judiada pelo tempo. Em seu rosto era perceptivel as decepções que a vida lhe dera..por algum motivo que até entao eu não conseguia saber o porquê, fiquei obcecado encarando o nada enquanto pensava nela e nas coisas que vivera, tanto que me assustei quando a mesma me abordou.
"O café está bom?"
"An" respondo assustado. "Está sim, mas, pra ser sincero, acho que só um bom whisky pode fazer com que eu me sinta melhor agora..''
Ela sorriu pra mim e pegou meu copo, ficou olhando pra ele como se estivesse examinando algo. Quando me devolveu não tinha mais café...
"Vamos la, prove" ela disse.
Dei um gole e não conseguia acreditar no que tinha acontecido...o café frio..virou whisky?
"Mas..como?!" Endaguei
"É fácil quando se é eu.." respondeu enquanto puxava uma cadeira e sentava-se na minha frente.
Ainda sem acreditar no que acontera perguntei quem ela era..
ela deu um sorriso largo e me pediu pra adivinhar, pode ser idiota, mas a única coisa que passou pela minha cabeça foi
"Você é uma..bruxa?!"
Ela riu, gargalhou pra ser mais exato.
"Não, não sou.." me respondeu em quanto ria.
"Eu sou o mundo, o universo, a verdade, tudo..sou você, eu sou o que vocês chamam de.."
"Deus" falamos juntos, em um tom uníssono
Ambos ficamos em silêncio por alguns segundos, e por algum motivo, eu não estava assustado ou descrente, mas precisava de um tempinho pra aceitar que Deus estava na minha frente, não é algo que se vê todo dia, eu tinha tantas perguntas..mas acabei fazendo a mais "imbecil"..
"Tá legal.. o que você ta fazendo aqui? Numa cafeteria suja e decadente..isso é no mínimo estranho..."
Ela sorriu de uma forma acolhedora, depois tomou seu chá (que eu não sei de onde surgiu) e me respondeu:
"Bom, vocês são minha criação, e eu sou uma 'pessoa' do povo...gosto de observa-los, entende?"
"Pra ser sincero, nao!" Respondi. "Aqui só vem quem não tem mais esperança de viver, quem ja falhou tanto que desistiu"
Ela olhou para sua xícara de chá ja vazia, colocou a mão sobre ela e fez com que a mesma se enchesse de novo, pegou a colher que eu usara pra mexer minha bebida que antes era cafe, colocou em sua xícara e me disse enquanto franzia a testa:
"Você acha? Todos os dias eu te vejo entrar, sentar e folhar o jornal com um olhar de esperança, faça chuva ou faça sol, todos os dias você vem aqui com a ideia de que "hoje vai ser diferente" e mesmo que seja igual, você continua vindo.."
''E daí?" Questionei desanimado "Isso não prova nada, na verdade prova sim! Que somos sua pior criação, todo cheio de falhas.."
Ela mexeu sua bebida com a minha colher (o que ainda me impressionava por algum motivo) tomou um gole, olhou para aquelas luzes piscando e cheia de insetos e sem olhar pra mim falou..
"Qual o problema em ter falhas? Defeitos são o que fazem de vocês humanos, defeitos definem a humanidade, sem isso e livre arbítrio vocês não seriam humanos, seriam...anjos, eu acho"
"Confesso que não era pra ser assim, mas o livre arbítrio fez de vocês falhos..o que não é ruim, só não é o que queria pra vocês..."
"Então ate Deus pode errar?!" Perguntei enquanto me inclinava mais perto de Deus "E porque não nos conserta?"
Pela primeira vez ela me olhou sem um sorriso no rosto, e confesso que aquilo mexeu comigo de alguma forma...
"É..esta tudo bem?!" Perguntei assustado.
"Esta sim filho, eu só estava pensando numa forma de começar, bom..se quer mesmo saber. Eu não posso consertar vocês, não mais...desde que os outros Deuses me puniram por te-los criado"
"Espera!" Interrompeu assustado. "Existem outros Deuses?!"
"Claro" ela respondeu rindo como se fosse a coisa mais normal do mundo, a julgar por tudo o que aconteceu naquele dia eu devia ter encarado com naturalidade também.. "Eles me criaram, criaram os anjos e tudo mais..alias, os anjos não diferem muito de mim, sabia?!Se tiramos o fato de que eles não tem vontade própria por não possuírem livre arbítrio como eu, somos praticamente a mesma coisa."
"Então, se livre arbítrio é o que te faz pensar por si só e criar coisas, porque não tempos o poder de criar também?!" Naquele momento eu mais parecia uma criança curiosa do que o adulto triste que entrara pra tomar cafe e se lamentar.
"E quem disse que nao podem?! Olhe a sua volta, vocês criaram tudo isso sozinhos, vocês pensam e tomam decisões por si só.. nem sempre tomam a decisão certa, mas mesmo assim...*suspira* nada nesse mundo é perfeito, e é isso que faz dele belo, infelizmente os outros Deuses não compartilham do mesmo pensamento, então me puniram, me limitaram.. mas nao me importo! *sorriso* é bom estar aqui com vocês."
"Bom meu whisky acabou.."
"Você quer mais?"
"Ah..não, não eu estou bem...o que quero mesmo é fazer uma última pergunta, sinto que ja esta na hora de ir." Respondi esperando que me dissesse algo.
Ela fez que sim com a cabeça e disse um breve "pergunte".
"Pois bem..para onde vamos? Depois que..ce sabe, depois que morremos...o que nos espera?"
Ela recolheu minha xícara junto da sua, pos ambas em uma bandeja e se levantou para lava-las. Foi até a cozinha e eu instintivamente a segui.."eu tenho que saber! Por favor"
De costas enquanto lavava a louça me respondeu "não, não tem..não se preocupe com esse tipo de coisa."
Sentindo que não devia insistir, coloquei a mão no bolso perguntando quanto devia pelo café, ou pelo whisky, sei la...ela ainda sem olhar pra mim, deu de ombros e disse que era por conta da casa.
Fiz o mesmo, dei de ombros e me despidi, pude ver sua mão esquerda levantando pra dar um breve tchau enquanto o resto dela continuara focado na pilha de louça suja que só parecia aumentar..
Quando ja estava saindo pela porta da cozinha ouvi ela me chamar pelo nome, me virei dizendo apenas "hmn?"
"03,05,09,40,42 e 47.."
"O que isso quer dizer?" Perguntei confuso.
"Pegue o dinheiro que economizou aqui e jogue esses numeros..confie em mim. Agora adeus"
Agradeci mentalmente, me virei e fui embora...por mais idiota que possa parecer, eu pensei em não jogar mas, graças a Deus *riso* graças a Deus mesmo! Eu joguei..e não voltei na cafeteria desde então..confesso que ainda tenho curiosidade de saber o que me espera após a morte, mas não tenho pressa..vou esperar chegar e descobrir eu mesmo. Não sei se sou a melhor pessoa do mundo para aconselhar alguem, mas se pudesse dar um conselho acho que seria "tomem café *riso*..e nunca desistam".